Editorial
Convidamos vocês a conhecer a Revista Fuller em nossa primeira edição. Este é um projeto que nasceu de um esforço coletivo ao longo de meses, na base de trabalho e amizade, transbordando cinefilia, de um pequeno grupo de amigos. Nasce, então, com a promessa de crescer nas próximas edições, ficar mais plural, tentando expandir nossos horizontes e apresentar pontos de vista diversos. Nesta edição, a ideia era tratar de forma especial Carlos Reichenbach, pois ele é o nosso guia espiritual. Para além da convivência que alguns de nós tivemos o prazer de desfrutar, Reichenbach é como nosso guia que aponta para a direção que desejamos seguir dentro da cinefilia. Procuramos dar conta de sua obra, cobrindo boa parte dos curtas-metragens e todos os longas, incluindo as antologias, mas também do seu legado neste aspecto da cinefilia, falando sobre as sessões do Comodoro, entrevistamos seu assistente de curadoria, o Leopoldo Tauffenbach, que toca a versão remodelada da sessão, para entender mais de como se davam os bastidores das sessões. Recuperamos também alguns escritos do próprio Reichenbach: um artigo decisivo dele sobre Tropa de Elite que esquadrinha a maneira como ele percebia a política dentro do cinema, em suas diversas camadas e detalhes, uma lista de recomendações de leitura feita sob medida para seus leitores que está datada, mas segue relevante, e a parte mais divertida que são os seus projetos inacabados, uma pequena amostra do quanto perdemos, do brilhantismo que ainda dominava o gênio dele. Como complemento, temos artigos soltos que tratam de obras relevantes de todas as épocas que tem interessado nossa redação, como Yokohama B.J. Blues, de Eichi Kudo, e o Natal dos Silva, série dos rapazes da Filmes de Plástico, nossa singela homenagem a Jean-Claude Bernardet através de um artigo sobre seu ótimo Wet Mácula, além de relembrar a carreira com textos bastante diversos sobre Michael Madsen, Lô Borges e Claudia Cardinale. Nas críticas, nosso ponto de curva que mais precisa de uma explicação – nossa edição foi criada ao longo de seis meses. Por isso, há uma margem um pouco confusa da cobertura do período, com críticas soltas sobre alguns títulos espaçados, alguns menos relevantes, pretendemos acertar estes ponteiros na Fuller #2, com uma retrospectiva que vai cobrir todos os filmes relevantes de 2025 que não foram tratados nesta. Certos de que há muito conteúdo a ser absorvido e muito para amadurecer, estamos felizes de apresentar nosso primeiro rebento, mesclando jovens críticos com pessoas super experientes, tentando construir um espaço novo, que não foi feito para alimentar egos e nem servir respostas definitivas, mas para pensar o cinema em conjunto.
Guilherme Martins
